sábado, 25 de fevereiro de 2012

Neblina – Um Rito de Transição


Serra de Maracajú, o "Vale do Rio Estreito"


Entre a cidade onde nasci, capital, e a cidade onde estudo, interior, existe um vale que separa os dois biomas desse lugar (Pantanal e Cerrado). Esse vale é formado por uma serra, que se elevam paredões de pedra. Essas paredes de pedra, eu imagino como uma muralha, que divide dois reinos (úmido e seco).

Ontem, vindo de minha terra natal para a cidade do Rio Estreito, ao chegar próximo da muralha que divide os dois reinos, havia uma grande neblina. Senti como um rito de transição. Ao sair da cidade natal, eu tinha me questionado sobre vários aspectos. Um deles foi o mecanismo que rege as pessoas. Todos temos horários, rotinas e vidas diferentes, que normalmente acontecem em centros (que criamos na mente), e é dito como dever manter essa ordem. Mas que ordem é essa que proibe alguém de observar a inspiração do amanhecer? Eu havia percebido que saindo do grande centro daquele lugar, e indo em direção do interior, poderia ser uma possibilidade de abrir a mente e olhar o que estava ao redor. Quando estamos no centro, esquecemos de prestar atenção do entorno. Deve ser por isso que a vida é um labirinto. 

Logo, na estrada, nos deparamos com aquela neblina. As grande rochas erguidas no meio do cerrado, sumiram. A muralha havia desaparecido. É como se eu pudesse entrar, sem passar pelo portão. Parecia a recepção de um bom herói. Os campos estavam brancos. Enormes fantasmas vagavam pelos campos, lagos e pantanos. As arvores em árduo mistério. Os animais em silêncio. Um druida, andando pela estrada, se assusta. Era uma manifestação divina!

A neblina se conectava com o chão. Deveriam ser as memórias daquele lugar, sendo sugadas para as altitudes da mente. O Sol silenciou. O druida teve coragem em atrevessar a neblina. Um sorriso no rosto, arrepio. Era um momento de transição. Não foi possível ver um vestígio da muralha que separa os dois reinos. O vale estava totalmente encantado com a bruma. Ao chegar em minha cidade interiorana, me senti bem vindo. Renovado. Era necessário renovar a casa também. O fiz. Até mesmo o cálice se quebrou. Os espíritos que vivem nesse local sempre me surpreendendo. O Rio Estreito me recebeu bem, a neblina se desfez. Um Sol forte retornou. Voltei.

Então, vamos a uma pequena meditação:

Sente-se confortavelmente e respire como bruma (calmamente).

Imagine-se andando em uma estrada, que divide dois reinos. Os dois reinos são inimigos, e construiram uma muralha para dividir suas posses. Existe uma estrada e um portão. Você está no reino seco e quer adentrar no reino úmido. Caminhe e observe a paisagem. Se depare com uma neblina. A neblina cobre todo o local, inclusive a muralha e o portão. Todos os guardiões estão iludidos, você pode passar pelo portão sem ser revistado. Os reinos não estão mais divididos. Então você deixa tudo o que lhe traz involução na estrada, e adentra a neblina. Também é iludido por ela, mas você tem a estrada para se orientar. Ao chegar na muralha, ninguém o vê, porque a bruma é densa. Você passa pelo portão e entra no reino úmido. A neblina se desfaz, e você está pleno, feliz e em paz. Uma grande voz de renovação flui dentro de você.

Respire calmamente. Abra os olhos e continue alimentando essa força.

Mais um rito de passagem realizado.

"Parta do centro e volte ao entorno."

/|\ Awen




Meu Tempo



Onde está, Meu Tempo?
Eu quero lhe provar novamente
Por que não se revela no momento?
Só possuo o vil antecedente.

Não consigo achá-lo,
Meu doce Tempo,
Porque não sei domá-lo,
Nem em meus leves pensamentos.

Havia quem cantava o amor,
O dia era ameno, as noites gentis.
Havia alguém para sonhador,
O natural era pleno, as energias sutis.

Eu lembro do teu frescor,
No peito, um coração batia.
Necessário é viver um amor,
Como uma grande orquestrada sinfonia.

Suas chuvas eram inspiração,
Seus dizeres eram o alento,
Âmago que alimentava a aflição,
Agonia que vive o Druida do Vento.


Em que instante está?
Idéia fajuta de tentar.
Eu quero compreender já,
Porém só posso contigo sonhar.

Na senda da paciência,
Em solidão andará.
No silêncio sem anuência ,
Um dia, para si, posse tomará.

Não desejava abrir o selo,
Não posso de sua seiva beber,
Tempo não posso tê-lo!
Bendito maestro a reger.

Temo a sua verdade,
Como o destino que espera,
Clemência a minha vaidade,
Anseio a essência que vigora.

Deve ser mesmo eleito,
Queres me corrigir o engano,
Este são seus dizeres  efeito,
Druida do Vento não seja tirano.

Não posso encontrar
Ele, o que estou a enaltecer
Porque não posso alcançar
Aquilo que não me deve pertencer.


/|\ Awen

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Três passos para TER



Já falei bastante do Ser. Não acham? Não? Tudo bem, essa pergunta foi retórica. Momentos de transição necessitam fazer ver o que existe por trás de uma túnica, capuz e cajado. O que será que há por trás desse rostinho inocente de vela? Engraçado, uma vela usando um cocar. Tem gente que diz que eu sou luz. Então porque não ter uma vela como minha face? Pode ter certeza, tem muito mais por trás dessa túnica que você vê no meu blog. É que muitos estão acostumados à só ver uma neblina, e não conseguem aceitar o que está por trás. Eu mesmo, não consigo entender o tempo. Mas, como já disse, é difícil ser compreendido em um mundo onde nem ao menos há entendimento.

Ter. Todos querem, desejam possuir. Em um mundo maniqueísta, todos também anseiam por separar de vez o Ser e o Ter. Alguns ditam a ordem do Ser, outro do Ter. Quem são os bons? Quem são os maus? Chega! Já falei demais do ser (e devo continuar a falar). Mas nós temos ou devíamos ter a capacidade de ouvir o que está fora. Concordo que o que está dentro é importante, muitas vezes chega  ser mais cobiçado que o que está fora. Entretanto, todos estão indo buscar uma essência, que em si, pode ser observado no que está se desenvolvendo no exterior de nós mesmos. Oras, temos que respeitar os dois lados, tanto alma, quanto corpo. O corpo se expressa pela alma. E quando falamos de espírito, imaginamos algo cálido, vestido de branco e reluzente. Porém, a alma tem seu lado obscuro e este também se expressa no corpo. 

Queres entender a essência? Primeiro olhe o que está extríseco a questão. Vamos sumir com a visão de “alma angelical”. Faça desaparecer a visão que separa os graus. Já é hora de assumir que existe o Ser e o Ter, e eles se complementam. Sabedoria provém do ser, por isso é oral, mutável, subjetivo, poético. Conhecimento provém do ter, por isso é escrito, imutável, objetivo, científico. Verdade provém dos dois em conjunto, por isso é relativa.

O druidismo diz que a manifestação dos deuses está no desabrochar de uma flor, no nascer do sol, no cantar dos pássaros, no nascimento de uma criança. Para entender o imaterial é necessário compreender o material. Os druidas dedicaram séculos de estudo da natureza, para criar o seu complexo culto (já a muito esquecido e perdido, somente recriado por nós). Foi necessário primeiro conhecer, para saber.  E assim é. Neste mundo em que fomos colocados, não me pergunte o porquê, primeiro devemos dar atenção ao exterior, pois ele é a expressão do interior. Quando falo em exterior, não digo de estereótipos. Os pré-conceitos são frutos da falta de observação tanto da essência, quanto do frasco.

Só existe uma forma de sentir o perfume. Possuindo o conhecimento de abrir o frasco que o guarda. Oras, se não existisse o recipiente que guarda perfume, o que seria dele? O perfume é algo precioso, por isso necessita de um guardião, seja que material for feito. Então, escute, para poder provar o seu mais precioso âmago, é necessário aceitar a arte de abrir a botelha.

Ter. Vamos entender os três passos para organizar essa parte que existe em nós.

1º - Possua o que quiser, desde que tenha alguma serventia. Tudo que não lhe serve deve ser descartado, ou melhor, reciclado. Não se trate como um entulho ou uma despensa de problemas e parafernálias. Tudo o que não é mais para si, deve ser colocado no seu devido lugar: para fora de seus pertences.

2º - Tudo o que você possui e tem alguma serventia, deve ser usado. Se não for usado, porém sabe que aquilo tem algum propósito, então guarde de forma adequada. Saiba ponderar o que deve ser usufruído e o que deve ser resguardado. Saiba o que deve sua atenção e cuidado.

3º - Seja humilde, use o necessário. Se for pensar, use o menos possível. Você já tem a você mesmo. E para fins de humildade, deves compartilhar do que tem, pois se tem utilidade para você, pode ter para outros.

Ontem uma voz falou por mim e disse esses três passos. No meu caso, ela disse:

“Chegue a sua casa e reflita:

1º Expurgue tudo o que não lhe trás desenvolvimento. Jogue fora ou doe todos os seus pertences que lhe causam involução.

2º Tudo o que restar dos seus pertences, use ou guarde, pois algum propósito tem. Se guardar, cuide.

3º “Usufrua o menos possível, somente o necessário.”

Por que não usar essas regras para o Ser também?

Mas lembre-se, o Ser é o artista, o Ter é a tela. Para entender a idéia de um artista, é necessário observar a técnica que ele empregou na sua expressão nobre.

Que todos os Externos e Internos estejam em paz!

/|\ Awen

Necessário Afastamento




Estou indo.
Indo embora.
Embora pra algum lugar.
Lugar de onde quero chegar.
Chegar onde?
Onde eu não sei.
Sei que deve ser um bosque.
Bosque esse que sou sombra.
A sobra que vaga sobre a terra e não encontra o tempo que a aceita.
Aceitar é um desafio.
Desafio que quebra as máscaras, os rostos.
Rosto, face polida da minha alma.
Alma, doce que tanto busco em um algum sentindo do meu pulsar.
Pulsar é vida, então devo estar morto.
Morto como aqueles que me antecederam em todos os aspectos.
Aspectos da minha forma de ser, equivocada.
Equivoco é meu mestre.
Mestre ou ladrão?
Roubar não é encontrar o que tanto desejas.
Desejos podem atrapalhar a concentração.
Concentrar-se exige um esforço.
Esforçar-se requer que tenhamos alguma inspiração para guiar.
Guia?
Mentor?
Até mais tarde, não estou.
Qual o propósito de criarem ouvidos, se não posso escutá-los?
Escutar é uma arte.
Arte em um mundo sem expressão, não consegue entender a abstração.
Subjetivo não é ser distraído, oras, nunca poderia escrever.
Palavras são atos congelados.
Gelo é frio, como o meu silêncio a me agonizar.
Gosto amargo.
Sal do contragosto.
Disfarce de mel.
Cansei de escrever.

Escute a voz do passado, mas não fique preso a ela.

Por um tempo... Não sei quanto... Desaparecido...

Posso ainda escrever algo, se a inspiração assim desejar... Mas pretendo me afastar...

Estou sem rosto, para encontrar o verdadeiro espelho.

/|\ Awen

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Humanidade



Existem três tipos de homens no mundo. Os humildes, os sábios e os corajosos.

Os Humildes são os homens que compartilham do que tem uns com os outros. Ajudam os necessitados e são vistos como grandes heróis em um mundo injusto, onde as hierarquias e poderes são determinados por valores absurdos. São considerados ajuizados por darem do que tem, porém, ao mesmo tempo, são ditos como loucos, pois não vivem o que os que se denominam superiores querem. E os reis injustos são muitos. Os humildes são poucos e mesmo assim enfrentam todo o império da mentira proclamada como verdade. Muitos desejam serem humildes, porém esquecem que compartilhar do que tem não é conceder a moeda de ouro, mas entregar com amor e dedicação.

Os Sábios são os homens que compartilham do que conhecem uns com os outros. Passam seus entendimentos para jovens e adultos e são vistos como iluminados em um mundo onde falta o entendimento. É difícil compreender em um mundo onde não existe nem ao menos o entendimento. São considerados felizes por conhecerem e poderem compartilhar, mas são ditos como insanos por pensar e refletir num mundo formado por ignorantes. E os idiotas são muitos. Os sábios são poucos e mesmo assim enfrentam todo o exército da ignorância, das verdades ditas como qualquer coisa. São muitos os que desejam ser sábios, porém esquecem que para compartilhar seu conhecimento, é necessário dedicar-se a paciência e treino. Os alunos nunca foram fáceis. O sábio sabe disso, pois é um aluno para si mesmo.

Os Corajosos são os homens que compartilha do que são uns com os outros. Nobres, eles conseguem enfrentar tudo que está fora e expressar o que está dentro. Não são iluminados, não são heróis, nem grandes homens enquanto vivem. São considerados malucos, porque dizem o que todos querem ouvir, mas não querem assumir. Depois que morrem, como sentem a falta de sua boa arrogância, ele poderá ser considerado um gênio. Isso porque suas palavras sobreviveram o tempo e influenciaram a geração certa, que está no futuro, que ainda não tinha nascido quando ele caminhava sobre a terra. Eles não tem máscaras, porém há muitas pessoas no mundo. Existem mais homens encapuzados, do que egoístas e ignorantes. Os corajosos são poucos, entretanto não desistem de por abaixo o templo que esconde os cativos medrosos e temerosos. São muitos os que desejam ser corajosos, mas esquecem que para compartilhar seu ser é preciso muita dor e comprometimento.

Mas quem disse que somente podemos ser um desses homens? A humanidade é o conjunto de todos os três. Humildade, Sabedoria e Coragem é a nova tríade que cunho aqui, de alguma inspiração que me veio. Humildade (Corpo), Sabedoria (Mente) e Coragem (Alma) podem ser combinadas. Contudo, exigirá força e sacrifício.  Não será fácil, porque em nenhum momento alguém disse que seria.

Humildade, Sabedoria e Coragem = Humanidade.


/|\ Awen

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Carnaval Xamânico - Campo Grande MS


Para quem desejar participar de somente um dia, pode investir 150,00 reais (CENTO E CINQUENTA REAIS), que será pago no local. Espero vocês lá!


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

30º Dia Druídico



Diálogo entre o Destino e o Druida do Vento.

Destino: Bem aventurado. Eu sou o Destino. Queria falar comigo?

Druida do Vento: Não acredito! É você mesmo?

Destino: Sim. Decidi me apresenta a você.

Druida do Vento: Oh, quão grato eu sou. Então é meu Destino?

Destino: Digamos que sim e não. Eu sou o Destino, então possuo todas as direções de todas as pessoas e seres que existem.

Druida do Vento: Mas... Então não estou no centro do labirinto?

Destino: Não. Eu vim para mostrar-lhe que não existe somente um centro. Existem muitos pontos neste labirinto que podem ser considerados como lugares de convergência. Terá que experimentar cada um para poder saber qual se identifica melhor. E não serei eu que estarei no local que você acolherá nesse gigantesco labirinto. Afinal, eu sou o Destino, sou o fim e o início.

Druida do Vento: Logo é o fim!

Destino: E um novo início.

Druida do Vento: Como foi rápido. Deuses!

Destino: E que conselhos você deixa para aqueles que querem me encontrar?

Druida do Vento: Aprendi muito. Mas o que dizer?

Destino: Porque não volta a falar como no início? Você é um bom tagarela.

Druida do Vento: E eu tenho essa permissão?

Destino: Por que não? Fale.

Druida do Vento:  Conselhos...

1º - Busque o lugar sagrado, a essência de si mesmo, o seu conhecimento e sabedoria eternos, aceite que o sagrado vive em nós e que no tempo está a centelha divina de nosso ser.

2º - Use desse conhecimento e sabedoria para ganhar as batalhas que terá que enfrentar, com coragem, destreza e troca.

3º - Fique atento e cuide com todo amor de seus objetivos pessoais, de seus propósitos e desejos, da sua transformação interior e exterior, da sorte e amadurecimento.

4º - Aprenda com seus erros, eles tem muito a lhe dizer. O passado também quer ser escutado, porque ele compreende um grito enorme de esforço. Tenha visão ampla, cautela e prevenção.

5º - Tudo que é ultrapassado e retrógrado deve ser superado. Não interfira em sua concentração. Dê chances à mudança de rumo e ao nascimento de novos horizontes.

6º - Informe-se, pois com as idéias novas a sua vida pode mudar. Tenha poder de transformar situações, de ir ao encontro da prosperidade, deseje a riqueza e alegria, aceita a abundância que existe em você. Entenda que você é a terra fértil.

7º - Não perca o rumo em meio a uma tempestade. Procure se segurar nas profundezas de si mesmo. Liberte seus segredos, suas fases e faces. Compreenda o elo maternal. Escute o grito que vem do âmago.

8º - Força! Encontre-a dentro de você. Resistência! Você é o mais poderoso escudo. A superação sempre exigirá um esforço, um preço. Esteja seguro do seu sucesso, lute e lidere com amor. Porque o carvalho é a árvore mais alta e poderosa do bosque.

9º - Leve seu destino com mais tranqüilidade, romance e gentileza. Cure-se e desenvolva o amor e o sonho. Descanse de seu trabalho, afinal, você também tem um limite. Aprenda a paciência com o visco.

Das nove flores sacramentadas, a dama de branco, senhora das corujas, rainha das tulipas, Blodeuwwed, foi criada por Math e Gwydion. Assim como ela, nasço e renasço em nove conselhos.

Destino: Bom retorno ao seu caminho, jornada e destino, Druida do Vento.

Druida do Vento: Ei! Senhor Destino... Porque tudo isso?

Destino: Meu jovem rapaz, nunca aprende a fazer as perguntas que quero ouvir... Mas, já que estou aqui vou responder...

Druida do Vento: Diga! Estou ansioso.

Destino: O porquê disso é vago demais. Somente acredite em si mesmo.

Druida do Vento: Ei!

Destino: Adeus Druida do Vento.

Druida do Vento: Adeus não. Logo vamos nos reencontrar.

Destino: Sim e não. Eu sempre estou com você. Em cada passo. Em cada dizer. Em cada olhar. Em cada viver.

Druida do Vento: Muito bem. Vamos voltar ao caminho, jornada e destino...

/|\ Awen

Eu sou grato a toda a Awen que desceu para escrever dia após dia.
Eu sou grato aos deuses e ancestrais, por me conduzirem até aqui.
Eu sou grato aos espíritos e seres que apareceram nessas visões e maluquices.
Eu sou grato pela minha família, que mesmo sendo maluca, a gente se entende.
Eu sou grato a Endovelicon, por ter compartilhado essa idéia sensacional conosco.
Eu sou grato aos amigos e irmãos Eldrich e Alessah, por sempre estarem me amparando.
Eu sou grato a Rowena, por me conceder a oportunidade de adentrar nesse mundo druida com suas visões.
Eu sou grato a Marcos Reis, por me conceder a sabedoria.
Eu sou grato a Maria Glória, por sempre estar me concedendo forças.
Eu sou grato a Ana de Dannan, por ser a primeira druidesa que me acolheu.
Eu sou grato a Marcelo Willian, Wallace Willian e Jéferson Matthes por me dizerem “Vá em frente e se jogue no precipício”.
Eu sou grato a Mayra e Pedro Belenus, por me inspirar diante seus esforços com o druidismo em sua terra ao norte.
Eu sou grato a Ailton, a coruja, um amigo, sempre que necessito extravasar.
Eu sou grato a Bridgit, Ammy e Ana Paula, por serem bruxa, cigana e fada.
Eu sou grato a Claudiney Prieto, Claudio Quintino e Patrícia Fox, sempre dando oportunidades para estudo e contato.
Eu sou grato a Arlen, Joana e Sact, sempre me alegrando.
Eu sou grato a todos os irmãos que farão dessa idéia, mais ainda.
Sou grato as pessoas amigas e irmãs dessa terra encantada de onde vivo: Keila, Wagner, Patrícia, Vanessa, Guinoraide, Renan, Kelbin, Marcelo, Fernando, Jacqueline, Cleiton, Alexandre, Denise, Pashya, Carol e tantos outros que estou reconhecendo e vou reconhecer ainda.
Agradeço aos meus leitores...
Agradeço aos que estão chegando e aos que estão partindo.
Em resumo, queria citar o nome de muito mais pessoas. E elas que estão lendo isso, sabem. Simplesmente, sou grato por acreditarem em mim.
Grato eu sou por poder libertar a minha essência para se confundir com outras tantas.
Grato eu sou pela vida, em ultima instância.
Porque vivo todos vocês.

Que tudo esteja na mais plena honra!

/|\ Awen

domingo, 5 de fevereiro de 2012

29º Dia Druídico




Dia sem diálogo.

Druida do Vento: Não sei por que, mas não sei quem é você. Mas isso me alegra, porque guarda segredos e desejos que eu quero descobrir. Confunde-me muito também não saber sobre você. É como se eu desejasse saber tudo antes que acontecesse. Ninguém me diz nada. Nem ao menos você. Eis que é minha paixão por você que me faz procurar lhe decifrar. Todos os homens querem. Uma fome plenitude que faz os horizontes serem mais que os meus próprios passos. Eu lhe quero, quero os seus desejos. Onde estão seus principais segredos? Parece tão perfeccionista, que não consigo desvendar a sua arqueologia. Possuir você é um sonho. Controlar você é uma utopia maluca. Desconstruir você é como chegar a um estágio avançado de insanidade. Entretanto, eu iria ao seu encontro.

Que charlatão és, oh tempo?

Por que me ilude tanto com suas miragens?

Onde chegaremos com isso tudo?

Qual seu objetivo em em causar tanta ansiedade?

Sedutor ou Narcisista? Ou os dois?

Tempo, alimento do templo, paixão torpe, traição tempe, timbre maldito, tic tac...

E você quer mesmo que eu pense no futuro?

Eu penso... Porém as paredes já estão enlouquecendo. Não sei. A árvore crescerá, mas não sei para onde os seus galhos vão se direcionar... Futuro, não podia conversar com você... Você não existe... Você vai nascer ainda... Tudo aqui é passado velho... Oh, Deuses, vou enlouquecer!

/|\ Awen

sábado, 4 de fevereiro de 2012

28º Dia Druídico




Dia sem diálogo.

Druida do Vento: Hoje tive um sonho. Ele me mostrava uma experiência um tanto estranha e complexa. Passava por um local, tempo e pensamento. Eu era testado. O tempo passava e eu possuía um destino e vivência. Depois de ter sofrido, chorado e lamentado. Após ter tido sorrisos, alegrias e amor. Depois de tudo isso eu voltei no tempo e comecei tudo de novo. Isso me causou grande tormento, porque vivia a mesma coisa várias vezes. E pior, eu tinha consciência que estava vivendo a mesma experiência novamente, sempre. Até que enlouqueci.

Somente um só Caminho. Vivê-lo de novo não existe, somente uma vez. E mesmo se pudéssemos, seria um tormento. Pensemos nisso...

O tempo disse “me aceite como eu sou”.

/|\ Awen

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

27º Dia Druídico


Dia sem diálogo.

Druida do Vento: Eis o que poderá ser Um Dia Druídico.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

26º Dia Druídico




Diálogo entre a Lua e o Druida do Vento.

Lua: Eu sou a sua ilusão. Caminhando para a minha plenitude, minha faceta cheia, você será iludido por mim. Porém, eu sou a única luz para você se orientar no labirinto.

Druida do Vento: Por que tens que ser mais um obstáculo, oh Lua que tanto amo?

Lua: Pois entre distrações estão também aprendizagens preciosas. Um bardo não aprende a cantar somente para encantar um rei, ele distrai o seu rei, faz dormir toda corte com um só toque na harpa.

Druida do Vento: Então deixo me iludir por sua luz.

Lua: Você se ilude mais quando estou negra. Olha para os céus, e não encontra o meu sorriso brilhante. Isso lhe causa grande confusão.

Druida do Vento: Mas porque motivo sua luz traria desprendimento do compromisso?

Lua: Porque tanto nas trevas, quanto na claridade existem cegueira e visão.

Druida do Vento: Devo aprender a distinguir?

Lua: Deve aprender a viver cada aspecto, assim como eu vivo meu ciclo.

Druida do Vento: Deixo-me levar por sua música?

Lua: Não esperava perguntas tão sem poesia de um jovem druida.

Druida do Vento: O que esperava de um jovem druida?

Lua: Que se distraísse menos de minha luz, que está indo ao ápice. Siga meu azul celeste por entre o labirinto e entenderá que minha ilusão lhe causará espanto e felicidade.

Druida do Vento: Óh Lua que caminha para o seu lado Sul abundante e pleno, me leve junto a ti.

Lua: O Sul é uma direção. Eu lhe movo para um lugar que tanto deseja ir. O centro do labirinto. Não tire a atenção de minha luz, continue andando.

Druida do Vento: É preciso dormir para que descanse e se possa acordar de um sonho. A Lua jamais ignorar. Caminhando, Caminhando Druida do Vento.

Lua: Paciência também é prudência. A minha graciosidade representa isso. Por trás de um elemento, existem outros a serem acompanhados.

Druida do Vento: Tens razão. A Tempestade não lhe cobriu de meus olhos, me deu saudades de ti, para que quando os céus se fizessem límpidos, o amor pudesse fluir melhor na alma.

Lua: Não tenho a razão. Tenho os sentimentos. Eu lhes concedo para levar os seus passos.

Druida do Vento: Gratidão.

Lua: Mais um conselho. A ilusão de minha luz ou treva deve ser vivida, não seguida.

Druida do Vento: Afinal, está dentro de mim, e eu em você.

...

Lua, Lua?

* Somente brilhante um sorriso no céu.

/|\ Awen

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

25º Dia Druídico



Diálogo entre a Tempestade e o Druida do Vento.

Druida do Vento: Eis que hoje comemorei Lughnasadh. Fazer a colheita foi renovador. Me sinto com os passos mais leves. Além do mais, depois da serpente oghâmica ter me revelado o futuro. O novo altar expressa a minha alma mais vívida e organizada. Muito mais leve, depois de ser ceifado da terra. Pareço ser carregado para algum celeiro, em braços de cuidado. Logo me transformarei em um alimento que nutrirá. O festival foi encantador...

Mas e essa chuva que se aproxima?

Tempestade: Venha até mim, Druida do Vento. Venha como criança. Eu lhe chamo. 

Druida do Vento: Em honra a Lugh esse torque dourado. Dê a túnica e o guarda-chuva, oh destino.

Tempestade: Sinta o meu sopro pelo tecido de suas vestes. Escute o trovejar da minha voz.

Druida do Vento: Irmã! Estou aqui descalço. Meus passos são leves. Eu não desejo lhe controlar e não quero seus poderes. Eu necessito de teu segredo. Este guarda-chuva representa o meu respeito por ti. Os meus pés descalços, eu quero que entenda que me entrego a ti, mesmo se a morte for o meu destino de glória diante a faísca luminosa que vem dos céus. Que os raios me atinjam, se for preciso.  Não tenho medo de ti. Possuo poesia interior para lhe expressar. Todos em silêncio e um louco conversando com a chuva. Teu mistério me inspira. Tempestade, eu quero ser seu amigo.

Tempestade: Eu sinto a sua poesia fluindo pelos teus pés. Meu choro toca sua pele e isso que lhe causa temor. Mas parece-me sincero, necessita de meus segredos como bom amigo. Tentaste ter meus poderes e teve um destino fajuto. Se somente deseja me respeitar, amando-me como eu sou, raios e trovões, lágrimas e silêncio, então terá um grande desafio. Abra o guarda-chuva e fique a minha espera. Treine a espera.

Druida do Vento: Uma gota. Duas gotas. Três gotas. De agora em diante serão milhares juntas a descer dos céus. Será que meu guarda-chuva irá suportar? Se meus pés suportam o poder nu dos relâmpagos, a sinceridade do tecido escocês irá demonstrar sua reverência pela chuva. Escuto tua voz, porque fizeste toda natureza pairar na quietude. Eu vou cantar junto a você.

Tempestade: Cante, jovem druida.

Druida do Vento: Awen! Awen! Awen!Imbas! Imbas! Imbas!

Tempestade: Cante mais, jovem druida.

Druida do Vento: Brigan, Dannan, Morrighan!

Tempestade: Isso! Diga os nomes dos grandes deuses.

Druida do Vento: Esus, Taranis, Teutates!

Tempestade: Eu trovejo! Eu ilumino! Eu desço cálida sobre a terra. Molho o tecido que te veste. Seus pés estão encharcados. Cante somente cante...

Druida do Vento: Eu sou leve. Meus passos são leves. Minha mente está leve. Tudo está leve.


/|\ Awen