quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Três passos para TER



Já falei bastante do Ser. Não acham? Não? Tudo bem, essa pergunta foi retórica. Momentos de transição necessitam fazer ver o que existe por trás de uma túnica, capuz e cajado. O que será que há por trás desse rostinho inocente de vela? Engraçado, uma vela usando um cocar. Tem gente que diz que eu sou luz. Então porque não ter uma vela como minha face? Pode ter certeza, tem muito mais por trás dessa túnica que você vê no meu blog. É que muitos estão acostumados à só ver uma neblina, e não conseguem aceitar o que está por trás. Eu mesmo, não consigo entender o tempo. Mas, como já disse, é difícil ser compreendido em um mundo onde nem ao menos há entendimento.

Ter. Todos querem, desejam possuir. Em um mundo maniqueísta, todos também anseiam por separar de vez o Ser e o Ter. Alguns ditam a ordem do Ser, outro do Ter. Quem são os bons? Quem são os maus? Chega! Já falei demais do ser (e devo continuar a falar). Mas nós temos ou devíamos ter a capacidade de ouvir o que está fora. Concordo que o que está dentro é importante, muitas vezes chega  ser mais cobiçado que o que está fora. Entretanto, todos estão indo buscar uma essência, que em si, pode ser observado no que está se desenvolvendo no exterior de nós mesmos. Oras, temos que respeitar os dois lados, tanto alma, quanto corpo. O corpo se expressa pela alma. E quando falamos de espírito, imaginamos algo cálido, vestido de branco e reluzente. Porém, a alma tem seu lado obscuro e este também se expressa no corpo. 

Queres entender a essência? Primeiro olhe o que está extríseco a questão. Vamos sumir com a visão de “alma angelical”. Faça desaparecer a visão que separa os graus. Já é hora de assumir que existe o Ser e o Ter, e eles se complementam. Sabedoria provém do ser, por isso é oral, mutável, subjetivo, poético. Conhecimento provém do ter, por isso é escrito, imutável, objetivo, científico. Verdade provém dos dois em conjunto, por isso é relativa.

O druidismo diz que a manifestação dos deuses está no desabrochar de uma flor, no nascer do sol, no cantar dos pássaros, no nascimento de uma criança. Para entender o imaterial é necessário compreender o material. Os druidas dedicaram séculos de estudo da natureza, para criar o seu complexo culto (já a muito esquecido e perdido, somente recriado por nós). Foi necessário primeiro conhecer, para saber.  E assim é. Neste mundo em que fomos colocados, não me pergunte o porquê, primeiro devemos dar atenção ao exterior, pois ele é a expressão do interior. Quando falo em exterior, não digo de estereótipos. Os pré-conceitos são frutos da falta de observação tanto da essência, quanto do frasco.

Só existe uma forma de sentir o perfume. Possuindo o conhecimento de abrir o frasco que o guarda. Oras, se não existisse o recipiente que guarda perfume, o que seria dele? O perfume é algo precioso, por isso necessita de um guardião, seja que material for feito. Então, escute, para poder provar o seu mais precioso âmago, é necessário aceitar a arte de abrir a botelha.

Ter. Vamos entender os três passos para organizar essa parte que existe em nós.

1º - Possua o que quiser, desde que tenha alguma serventia. Tudo que não lhe serve deve ser descartado, ou melhor, reciclado. Não se trate como um entulho ou uma despensa de problemas e parafernálias. Tudo o que não é mais para si, deve ser colocado no seu devido lugar: para fora de seus pertences.

2º - Tudo o que você possui e tem alguma serventia, deve ser usado. Se não for usado, porém sabe que aquilo tem algum propósito, então guarde de forma adequada. Saiba ponderar o que deve ser usufruído e o que deve ser resguardado. Saiba o que deve sua atenção e cuidado.

3º - Seja humilde, use o necessário. Se for pensar, use o menos possível. Você já tem a você mesmo. E para fins de humildade, deves compartilhar do que tem, pois se tem utilidade para você, pode ter para outros.

Ontem uma voz falou por mim e disse esses três passos. No meu caso, ela disse:

“Chegue a sua casa e reflita:

1º Expurgue tudo o que não lhe trás desenvolvimento. Jogue fora ou doe todos os seus pertences que lhe causam involução.

2º Tudo o que restar dos seus pertences, use ou guarde, pois algum propósito tem. Se guardar, cuide.

3º “Usufrua o menos possível, somente o necessário.”

Por que não usar essas regras para o Ser também?

Mas lembre-se, o Ser é o artista, o Ter é a tela. Para entender a idéia de um artista, é necessário observar a técnica que ele empregou na sua expressão nobre.

Que todos os Externos e Internos estejam em paz!

/|\ Awen

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