quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Necessário Afastamento




Estou indo.
Indo embora.
Embora pra algum lugar.
Lugar de onde quero chegar.
Chegar onde?
Onde eu não sei.
Sei que deve ser um bosque.
Bosque esse que sou sombra.
A sobra que vaga sobre a terra e não encontra o tempo que a aceita.
Aceitar é um desafio.
Desafio que quebra as máscaras, os rostos.
Rosto, face polida da minha alma.
Alma, doce que tanto busco em um algum sentindo do meu pulsar.
Pulsar é vida, então devo estar morto.
Morto como aqueles que me antecederam em todos os aspectos.
Aspectos da minha forma de ser, equivocada.
Equivoco é meu mestre.
Mestre ou ladrão?
Roubar não é encontrar o que tanto desejas.
Desejos podem atrapalhar a concentração.
Concentrar-se exige um esforço.
Esforçar-se requer que tenhamos alguma inspiração para guiar.
Guia?
Mentor?
Até mais tarde, não estou.
Qual o propósito de criarem ouvidos, se não posso escutá-los?
Escutar é uma arte.
Arte em um mundo sem expressão, não consegue entender a abstração.
Subjetivo não é ser distraído, oras, nunca poderia escrever.
Palavras são atos congelados.
Gelo é frio, como o meu silêncio a me agonizar.
Gosto amargo.
Sal do contragosto.
Disfarce de mel.
Cansei de escrever.

Escute a voz do passado, mas não fique preso a ela.

Por um tempo... Não sei quanto... Desaparecido...

Posso ainda escrever algo, se a inspiração assim desejar... Mas pretendo me afastar...

Estou sem rosto, para encontrar o verdadeiro espelho.

/|\ Awen

0 Comentários: