Estou indo.
Indo embora.
Embora pra algum lugar.
Lugar de onde quero chegar.
Chegar onde?
Onde eu não sei.
Sei que deve ser um bosque.
Bosque esse que sou sombra.
A sobra que vaga sobre a terra e
não encontra o tempo que a aceita.
Aceitar é um desafio.
Desafio que quebra as máscaras,
os rostos.
Rosto, face polida da minha alma.
Alma, doce que tanto busco em um
algum sentindo do meu pulsar.
Pulsar é vida, então devo estar
morto.
Morto como aqueles que me
antecederam em todos os aspectos.
Aspectos da minha forma de ser,
equivocada.
Equivoco é meu mestre.
Mestre ou ladrão?
Roubar não é encontrar o que
tanto desejas.
Desejos podem atrapalhar a concentração.
Concentrar-se exige um esforço.
Esforçar-se requer que tenhamos
alguma inspiração para guiar.
Guia?
Mentor?
Até mais tarde, não estou.
Qual o propósito de criarem
ouvidos, se não posso escutá-los?
Escutar é uma arte.
Arte em um mundo sem expressão, não
consegue entender a abstração.
Subjetivo não é ser distraído,
oras, nunca poderia escrever.
Palavras são atos congelados.
Gelo é frio, como o meu silêncio
a me agonizar.
Gosto amargo.
Sal do contragosto.
Disfarce de mel.
Cansei de escrever.
Escute a voz do passado, mas não
fique preso a ela.
Por um tempo... Não sei quanto... Desaparecido...
Posso ainda escrever algo, se a inspiração assim desejar... Mas
pretendo me afastar...
Estou sem rosto, para encontrar o verdadeiro espelho.
/|\ Awen

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