segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Não sou profeta


Era um velho, chorando sem expectativa. Olhando para uma parede branca, com sua barba também alva, parecia assistir a algo tenebroso. Dizia alto e claro: “Duas nações entrarão em guerra, desastres e muitos homens em confusão”. Só havia uma parede intacta e sem nenhuma imagem. Entretanto, parecia tão nítida a cena para um velho, sentado a frente daquela parede e cego por não me ver.

Jovens estavam acessando um computador. Eles abrem um programa de destruição mundial. Como em um jogo, vão criando estratégias para destruir seu inimigo: a Terra. Eles se colocam a frente da máquina, parecem extraterrestres gananciosos. Mas são jovens. Um deles desliga a máquina e questiona sua própria consciência. “Isto está errado, não podemos fazer!”. Os outros dois jovens entendem, porém não podem cessar fogo. Parecem presos a uma ditadura. Como bons amigos, os três choram a desgraça de seus destinos e recomeçam o jogo, honrando os propósitos da máquina.

De um lado havia uma mulher, muito inteligente, que defendia uma minoria. Era um povo primitivo, que vivia do que a terra lhes dava. Do outro lado havia um homem, inteligente também, defendendo sua plantação seca. Mulher e homem se colocam na fronteira. Ela defende os primitivos, enquanto ele defende a civilização. São dois cientistas. Percebo que a mulher é uma antropóloga e o homem um cientista do solo. Os dois possuem bons argumentos, contudo a discussão não chega a lugar nenhum.

Uma bola de fogo cai sobre um grande continente gelado. Em poucos dias, tudo se torna água, os mares tem seu nível agora errado. Os litorais estão fadados a inundação e arraso. Depois disso, o dinheiro e poder já não têm mais valor. A ruína tem um por que. Duas nações entraram em guerra, jovens desmotivados não ouviram sua consciência e a civilização não suportou o primitivo. Um começo no fim desesperado. 

Não sou profeta, apenas sonhador. 

/|\ Awen

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