domingo, 8 de janeiro de 2012

2º Dia Druídico


Diálogo entre o Druida do Pensamento e o Druida do Vento.

Druida do Pensamento: Cosmologia.

Druida do Vento: Ainda insistem em dar uma ordem lógica a todas as coisas?

Poderia contar alguma história, se soubesse. Não sei contar mitos. Até conheço alguns. Entretanto não estou com vontade de recitar nada. Quem sabe fui bom poeta em outra vida. Sim, ainda pergunto para as mesmas paredes, o que estou fazendo aqui. Nem sei por que escrevo. Nem sei porque pergunto. Elas não me respondem nada. E eu escrevo palavras. Oh, teimosia! De onde provém tanta insegurança? Ira! Porque a vida não vem com toda a sinfonia pronta? Talvez porque nós todos temos um lado tão belo, quanto narcisista, que nossa própria feiúra ignora com violência. Se isso não fosse, não poderíamos expressar com tanta naturalidade nossos sonhos mais profundos, ao ponto de negar a realidade.

Não me pergunte como funciona o universo. Pergunte ao próprio universo. Afinal, quem mais poderia saber sobre o cosmos, se não ele mesmo? E por qual objetivo nos preocupamos pela origem das coisas? Seria mais interessante e sensato viver. Somente viver. O que já nos concede a construção de uma enorme questão. E nos torturamos, querendo porque querendo entender o mecanismo do universo. Estamos aqui, agora, e é isso que importa. Entretanto, é tão instigante, simbólica e bela a “verdade absoluta”. Sim! Só esqueceram de dizer que ela também é ilusória. O que mais me intriga é que nós, humanos, discutimos incessantemente esse assunto, não por interesse, mas porque o universo pede.

Oras, quando o universo se questionou pela primeira vez, tudo foi criado. O cosmos é a resposta ou várias a uma pergunta ou muitas. Imagine só! O homem é o universo que pensa. Que raciocina. Que pergunta, responde e cria simbolismos diversos. E assim se fez todas as histórias que nos contaram. Já parou para refletir que quanto mais decoramos lendas, mais perdemos o rumo do caminho? Sentimos-nos seguros ilusoriamente, por trás de uma história. Entretanto se esse mesmo conto for tirado da memória, a insegurança será vista de verdade. Porque o medo continua em todos, mesmo que haja sensação de coragem. Ninguém entendeu o mito, somente o tomaram para si.

O medo. Ele nos impede de viver. Plenamente! Sempre que ele está nos rondando, principalmente junto a sensação de perda, nos inclinamos ao um temor maior. Gritamos com o silêncio, para ouvir os seus conselhos. Martirizamo-nos. Queremos saber o grande porque de tudo. Impacientes e tolos. É assim que a cosmologia funciona. A busca, a curiosidade e a dúvida não são más, porém tudo em muito excesso pode fazer mal. Não seja temerário, nem medroso. A essência é viver a coragem. O universo existe e pronto! É um fato. Você e eu existimos. Outro fato. Não se prenda às histórias dos homens. Lembre-se que existe um conto a ser recitado dentro de você.

Vou tentar perguntar menos as paredes. Creio que saber escutá-las poderá fazer diferença. Louco, eu? O universo é insano. Todos nós somos como um rio, podemos ter uma margem estreita. O maior desafio é saber passar por ela. Não obstante, o atraente é que passamos. Se tivéssemos a mesma paciência do rio, o mar seria bem mais fácil de alcançar. As paredes não me responderam nada. Como sempre! Vou escrever em silêncio, quem sabe elas fiquem curiosas. Agora dei pra pensar que as paredes perguntam. Um doido simpático.

Druida do Pensamento: Pelos Ancestrais, você fala demais!

Druida do Vento: Agora entendeu porque as paredes ficam em silêncio?

/|\ Awen

0 Comentários: