segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

16º Dia Druídico



Diálogo entre a Poesia, o Druida do Vento e a Coruja da Pedra.

* Em uma pedra um poema estava escrito e no silêncio do pensamento o Druida do Vento a absorvia.

Poesia:

É muito difícil entender,
A falta do entendimento,
Fácil mesmo é ler-me,
Porque este é o momento.

Druida do Vento: Tens razão, velho poema da pedra. O anônimo que lhe escreveu deve ter sido um dos muitos Druidas do Vento existentes nesse mundo. Como é torturante chegar próximo do entendimento quando observamos que ele não existe em nenhuma parte para com nós. A falta dele me causa grande angústia. A falta dos que me compreendam, me concedem um gosto amargo. Pelo menos resta-me ler a inspiração de alguém, que é fácil de compreender. Momento este que compartilha comigo a mesma doçura azeda da vida.

Poesia:

Eu sou minha essência
E vou seguir por excelência
Mas haverá quem não
Aqueles que não compreenderão

Druida do Vento: Tens razão novamente. Sei o quanto foi difícil escrever isso. Ser sua própria essência e a seguir por excelência é um dos maiores desafios que existe. Porque existem aqueles que não são, que não compreendem a essência. Quanta ignorância nos faz incompletos. Viver entre ignorantes inteligentes é um dos mais belos desafios que um homem pode ter. Basta ele rir e chorar. Entretanto, se acham que eu vou me suicidar para amenizar esse desafio, saibam homens e deuses que não. Acham mesmo que vou me deixar derrotar, para os meus inimigos rirem de mim? Crêem que darei a vitória aos ignorantes que não compreendem? A vitória será minha e daqueles que entendem. Eu sei que existe um exército e a eles eu irei me juntar. Mesmo que sejamos uns poucos resistentes, se a luz refletir entre nossas espadas e ela há de reluzir, iluminaremos a essência daqueles que a ignoram.

Poesia:

Acabou-me a mim mesmo
Quando naquele dia
Conheci a ti mesmo
A minha alma eu via.

Eu e mais ninguém.

Druida do Vento: Um ótimo poema escrito na pedra.

Coruja da Pedra: Iludido! Você foi encantado pela pedra da poesia.

Druida do Vento: Como?

Coruja da Pedra: Eu sou a Coruja que guarda essa pedra há tempos. Todos fazem o mesmo que você. Lêem e se iludem. Mas os outros, eu deixo passar sem falar com eles. Você tem algo a mais. Algo que eu me identifico.

Druida do Vento: O que, Coruja da Pedra?

Coruja da Pedra: Entenda-me jovem druida... Eu sou o animal que te inspira... És como eu, observa em silêncio, solidão e paciência tudo a seu redor... Quando chega o tempo, os roedores saem da toca, e você os captura com destreza... Vais ter que esperar eles saírem da toca ou morrerá de fome...

Druida do Vento: Eu sei que você sempre esteve ao meu lado.

Coruja da Pedra: Mesmo quando uma poesia lhe encanta.

Druida do Vento: O que está escrito aqui não é real?

Coruja da Pedra: Não é uma verdade absoluta, pois não existe. Para alguns pode significar água, para outros fogo. A ilusão está em nós. O poema somente está ai, escrito, intacto, congelado no tempo. Leia-o, interprete-o, mas não o leve a sério. Largue o poetas, criei o seu próprio texto.

Druida do Vento: Palavras têm poder.

Coruja da Pedra: Homens têm poder. As palavras agem sobre eles. Simples assim.

Druida do Vento: Então o que fazer?

Coruja da Pedra: As palavras devem ser como jóias que são esculpidas por joelheiros. Escreva as suas próprias linhas e entrelinhas e não dependerá dos poetas antigos para orientar sua vida. Afinal, eles não desejavam ser chefes, mas inspiradores. A poesia é a prova viva da liberdade de um homem sob efeito se suas próprias palavras.

Druida do Vento: Gratidão.

Coruja da Pedra: Leia a ultima linha.

Poesia:

Ninguém tomará o meu único bem, essa poesia morre comigo.


Coruja da Pedra: O verdadeiro bardo diz para você: “Lembre de mim, não do que escrevi.”

Druida do Vento: Gratidão.

/|\ Awen

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