Diálogo entre a Poesia, o Druida do Vento e a Coruja da Pedra.
* Em uma pedra um poema estava escrito e no silêncio do pensamento o
Druida do Vento a absorvia.
Poesia:
É muito difícil entender,
A falta do entendimento,
Fácil mesmo é ler-me,
Porque este é o momento.
Druida do Vento: Tens razão, velho poema da pedra. O anônimo que
lhe escreveu deve ter sido um dos muitos Druidas do Vento existentes nesse
mundo. Como é torturante chegar próximo do entendimento quando observamos que
ele não existe em nenhuma parte para com nós. A falta dele me causa grande
angústia. A falta dos que me compreendam, me concedem um gosto amargo. Pelo
menos resta-me ler a inspiração de alguém, que é fácil de compreender. Momento
este que compartilha comigo a mesma doçura azeda da vida.
Poesia:
Eu sou minha essência
E vou seguir por excelência
Mas haverá quem não
Aqueles que não compreenderão
Druida do Vento: Tens razão novamente. Sei o quanto foi difícil
escrever isso. Ser sua própria essência e a seguir por excelência é um dos
maiores desafios que existe. Porque existem aqueles que não são, que não
compreendem a essência. Quanta ignorância nos faz incompletos. Viver entre
ignorantes inteligentes é um dos mais belos desafios que um homem pode ter.
Basta ele rir e chorar. Entretanto, se acham que eu vou me suicidar para
amenizar esse desafio, saibam homens e deuses que não. Acham mesmo que vou me
deixar derrotar, para os meus inimigos rirem de mim? Crêem que darei a vitória
aos ignorantes que não compreendem? A vitória será minha e daqueles que
entendem. Eu sei que existe um exército e a eles eu irei me juntar. Mesmo que
sejamos uns poucos resistentes, se a luz refletir entre nossas espadas e ela há
de reluzir, iluminaremos a essência daqueles que a ignoram.
Poesia:
Acabou-me a mim mesmo
Quando naquele dia
Conheci a ti mesmo
A minha alma eu via.
Eu e mais ninguém.
Druida do Vento: Um ótimo poema escrito na pedra.
Coruja da Pedra: Iludido! Você foi encantado pela pedra da poesia.
Druida do Vento: Como?
Coruja da Pedra: Eu sou a Coruja que guarda essa pedra há tempos.
Todos fazem o mesmo que você. Lêem e se iludem. Mas os outros, eu deixo passar
sem falar com eles. Você tem algo a mais. Algo que eu me identifico.
Druida do Vento: O que, Coruja da Pedra?
Coruja da Pedra: Entenda-me jovem druida... Eu sou o animal que te inspira... És como eu, observa em silêncio, solidão e paciência tudo a seu redor... Quando chega o tempo, os roedores saem da toca, e você os captura com destreza... Vais ter que esperar eles saírem da toca ou morrerá de fome...
Druida do Vento: Eu sei que você sempre esteve ao meu lado.
Coruja da Pedra: Mesmo quando uma poesia lhe encanta.
Druida do Vento: O que está escrito aqui não é real?
Coruja da Pedra: Não é uma verdade absoluta, pois não existe. Para
alguns pode significar água, para outros fogo. A ilusão está em nós. O poema somente está
ai, escrito, intacto, congelado no tempo. Leia-o, interprete-o, mas não o leve a
sério. Largue o poetas, criei o seu próprio texto.
Druida do Vento: Palavras têm poder.
Coruja da Pedra: Homens têm poder. As palavras agem sobre eles.
Simples assim.
Druida do Vento: Então o que fazer?
Coruja da Pedra: As palavras devem ser como jóias que são
esculpidas por joelheiros. Escreva as suas próprias linhas e entrelinhas e não
dependerá dos poetas antigos para orientar sua vida. Afinal, eles não desejavam
ser chefes, mas inspiradores. A poesia é a prova viva da liberdade de um homem
sob efeito se suas próprias palavras.
Druida do Vento: Gratidão.
Coruja da Pedra: Leia a ultima linha.
Poesia:
Ninguém tomará o meu único bem,
essa poesia morre comigo.
Coruja da Pedra: O verdadeiro bardo diz para você: “Lembre de mim, não do que
escrevi.”
Druida do Vento: Gratidão.
/|\ Awen

0 Comentários:
Postar um comentário