Diálogo entre o Druida do Vento e o Velho Cego.
* O jovem druida estava na estrada, quando foi interrompido por um
senhor de idade.
Velho Cego: Histórias, Histórias, Histórias! Tem alguma boa para me
contar?
Druida do Vento: Tenho que caminhar em silêncio, meu bom senhor.
Velho Cego: Mas espere, meu jovem. A Ignorância nunca foi o seu
último ato. Esse não é o teu silêncio.Eu te permito falar. Sente-se aqui e
vamos conversar.
* O Druida do Vento se sentou em uma pedra ao lado do velho. Passaram
alguns minutos em silêncio.
Velho Cego: Não dirá nada rapaz?
Druida do Vento: Nada!
Velho Cego: Mesmo cego eu sei quem você
é. Sua essência de nome revelou-me sua história. Druida do Vento! Seu nome é
como o vento, é soprado rapidamente. Sei porque você está em silêncio. Eu não
desejo produzir nada com ele. Então fale ou não te deixarei passar!
Druida do Vento: Como?
Velho Cego: Oras, meu rapaz! Sou cego,
não tolo...
Druida do Vento: O quer que eu fale?
Velho Cego: Sobre as Histórias...
Druida do Vento: Não sei...
Velho Cego: Vais largar mesmo a
sabedoria do meio do caminho?
Druida do Vento: Muitos contam a
história de um velho cego, porém esquecem que ele depende do som para se
orientar... Eu também esqueci!
Velho Cego: Você está com o coração
aflito, meu jovem rapaz. Lembre-se que bons contadores de história, envoltos
com más intenções, podem distorcer, conturbar e até destruir a sua. Cuidado, Druida
do Vento!
Druida do Vento: Eu sei. Palavras são
espadas! Estou tentando curar as que me feriram.
Velho Cego: Porque não tenta se
defender?
Druida do Vento: Como assim?
Velho Cego: Se palavras são espadas,
como você diz, logo você pode erguer a sua contra aos que querem te ferir com
lâminas afiadas.
Druida do Vento: Mas será que ela tem
força o suficiente?
Velho Cego: Não sei. Você é o ferreiro,
guerreiro e escudo.
Druida do Vento: Tenho medo.
Velho Cego: Não o tenha. Sozinho você
encontrará quem te acompanhará.
Druida do Vento: Na verdade não é
medo... Sei lá o que é...
Velho Cego: Estranheza.
Druida do Vento: Sim!
Velho Cego: Oras, mas se encontrou um
Druida dentro de você é porque entende o segredo do Carvalho. O Carvalho é
distinto no bosque. Você também deve ser.
Druida do Vento: Entendo...
Velho Cego: É. É sim um sacrifício. Mas
terá que suportar, pois é o seu caminho. Recorde-se do que lhe disseram:
Silêncio, Solidão e Paciência.
Druida do Vento: Por que tudo isso?
Velho Cego: A vida acontece porque um dia os cegos querem escutar
sua história, para poderem imaginar e contar poeticamente uns para os outros.
Druida do Vento: Hoje me disseram que a juventude foi corrompida
pelas escolhas que fiz.
Velho Cego: Essa pessoa é mentirosa! Ela vê demais! Se pudesse ter
a minha cegueira, entenderia o jovem esplêndido que há dentro de você!
Druida do Vento: Mas eu a amo muito. Isso me feriu.
Velho Cego: Sua juventude não foi escolha, foi amor. Você lutou por
quem você sempre foi, pelo que pensava, pelo que sentia, pelo que desejava,
pelo que era. Isso é amor. Amor pela sua própria jornada. Não se importe com o
que os adultos dizem. Eles foram crianças fúteis, jovens frustrados e se
tornaram grandes nadas. A minha esperança é que um dia se tornarão velhos e
quem sabe cegos.
Druida do Vento: As palavras foi como uma espada cortando a minha
garganta.
Velho Cego: E vais deixar que essas palavras sejam escritas na sua
história? Você crê que elas dever ser marcas na sua trajetória? Escreva por cima
delas. Eleva sua espada contra a espada do inimigo
Druida do Vento: Historias...
Velho Cego: Histórias podem ser mais do que um simples rabiscar ou
falar. Tornam-se o mais belo poema, quando somos nós o bardo a inspirá-la. Sua
voz bárdica deve ser escutada.
Druida do Vento: E um dia os cegos vão escutá-las, eu prometo.
Velho Cego: Eu esperarei ouvir o que o vento contará sobre você. Eu
esperarei!
Druida do Vento: Em silêncio, solidão e paciência?
Velho Cego: Em silêncio, solidão e paciência!
Druida do Vento: Até que falar não doeu.
Velho Cego: Porque você estava usando sua espada. Travamos uma boa
batalha amistosa. Está bem treinado. Agora vá.
Druida do Vento: Porque bons contadores de história, envoltos com
boas intenções, podem criar, recriar e viver plenamente a sua.
/|\ Awen
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