Diálogo entre o Druida do Vento, o Jovem Rei, a Curandeira, o Bardo Maluco da
Colina e o Povo.
* O Druida do Vento retornou pela manhã a Colina para observar a
Aurora.
Druida do Vento: Meditação. Um momento de paz. Será que estarei
preparado para o desafio de hoje?
* O Jovem Rei e toda a comunidade, inclusive a Curandeira, chegam ao
local.
Jovem Rei: Desonrado! Vejam, Povo Desta Terra, quem matou o seu
Rei!
* O Druida do Vento, sem proteção alguma, foi atacado pelo Jovem Rei.
Jovem Rei: Na Aurora, como de tradição, o Velho Rei é cremado e eu,
o Jovem Rei, coroado. Para isso, necessita-se de um sacrifício. Nada mais
honroso do que jorrar o sangue de um forasteiro traidor. Prendam-no, diante a
Colina do Menir!
* O Povo, insano pela
desordem instituída pela morte, obedece. Amarram o Druida do Vento e o colocam
ajoelhado. O Jovem Rei rasga suas vestes, o humilhando perante seu povo. A
Curandeira toma uma adaga em mãos, segura a cabeça do Druida do Vento, lhe
dando perigo ao pescoço.
Jovem Rei: Agora prove o silêncio que deu a meu pai. Deguste a
solidão que deu a mim. Sinta o medo do tremor de meu povo.
* O Jovem Rei vai em direção do Menir. Inicia-se um breve diálogo entre
a Curandeira e o Druida do Vento.
Druida do Vento: Por quê?
Curandeira: Não pergunte! Apenas prove seu silêncio, sua solidão e,
principalmente, seus medos!
Druida do Vento: Para que necessitam de um sacrifício?
Curandeira: É preciso do sacrifício para que haja a recompensa,
assim como é necessária a confusão e loucura de um jovem para haver glória num
tempo futuro e próspero. Lembre-se do que eu lhe ensinei!
Jovem Rei: Tragam a coroa!
* O povo grita com ânimo.
Jovem Rei: Perante esse Menir e a Aurora, eu serei o dono o trono
Desta Terra. Meu pai irá se encontrar com a Glória no outro mundo. E aos Cães,
eu ofereço o sangue do Druida do Vento!
* O povo grita com ânimo novamente, mas é interrompido.
Bardo Maluco da Colina: Basta!
Jovem Rei: Quem é você, além de um velho louco, para interromper um
ritual sagrado?
Bardo Maluco da Colina: Eu sou aquele que veio te ensinar a
governar!
* O som de um tabefe ecoou pela colina. O Jovem Rei caiu e se humilhou.
Bardo Maluco da Colina: Primeiro! Aprenda a curvar-se diante um
Bardo! Segundo! Aprenda a curvar-se diante o povo!
* Da bainha, o Bardo Maluco
da Colina, tirou uma adaga. Com ela cortou o braço do Jovem Rei.
Bardo Maluco da Colina: E Terceiro! Aprenda a curvar-se diante de
seu sangue! Curandeira!
* A Curandeira recolheu os medos do Druida do Vento com a Adaga e
fincou na terra. Recolheu da mão do Bardo Maluco da Colina a Adaga com sangue
do Jovem Rei e fez o mesmo.
Curandeira: Eis o verdadeiro sacrifício!
Bardo Maluco da Colina: Tragam a Coroa!
O Povo: Quem é você, além de um velho doido, para tocar na Coroa de
um Rei?
Bardo Maluco da Colina: Esperei muito tempo para isso. Eu sou o
irmão primogênito do Velho Rei! Há muito tempo, a Rainha me deixou diante essa
colina e os animais me criaram. Ninguém nunca conheceu minha história, porque
nunca tiveram coragem de me visitar e compartilhar conhecimento. Denominaram-me
de Bardo Maluco da Colina, sendo que era meu o direito governar essa terra. Um
jovem rapaz forasteiro veio para lhes mostrar a verdade, com seu silêncio,
solidão e medo. Tudo tem o seu tempo.
* O Povo entregou a coroa.
Bardo Maluco da Colina: Eu lhe corôo, Jovem Rei, como Rei Supremo e
Unânime Dessa Terra. Eu me Proclamo seu Bardo Conselheiro.
* A Aurora se fez e uma nova esperança tinha sido criada.
Curandeira: Está livre, Druida do Vento!
Druida do Vento: E a Paciência?
Bardo Maluco da Colina: Você a provou, esperando o sacrifício de
seus medos. Tenha um ato de paciência com sua ansiedade e entenderá os porquês.
Curandeira: Eu necessitei arrancar os seus medos, para que você
pudesse compreender melhor a virtude e nobreza da paciência.
Jovem Rei: Você só poderia compartilhar comigo seu Silêncio através
da morte de meu pai. Então compartilhou a Solidão com o meu sangue, ou seja,
com meu tio. E agora, ensinou a arte de esperar. Eu lhe devo suas roupas.
Druida do Vento: Entendo. E eu estou preparado?
Bardo Maluco da Colina: Para assumir a estrada pela frente está.
Entretanto, nunca estamos totalmente preparados. Somos preparados. Estar é
momentâneo. Ser, é eterno.
Druida do Vento: Eu sou grato por os desafios desses dias. Agora
sei que por trás do Silêncio e Solidão, existe a Paciência.
Curandeira: Você é o sábio de si mesmo, por isso poucos o entendem.
Jovem Rei: Você é o rei de si mesmo, por isso poucos são nobres.
Bardo Maluco da Colina: Você é a inspiração de si mesmo, por isso
poucos lhe encontram.
Druida do Vento: Somente os mais nobres.
Jovem Rei: Os iguais a você.
Curandeira: Para eles você sorri.
Bardo Maluco da Colina: Para os muitos outros, você chora.
Druida do Vento: E continuo trilhando.
Povo: Sem os medos de outrora.
Bardo Maluco da Colina: Como eu esperei por todos esses anos.
Curandeira: Como eu esperei pelo seu silêncio raro.
Jovem Rei: Como eu esperei pela sua solidão.
Druida do Vento: Caminho, Jornada, Destino.
A verdadeira meditação.
* O Druida do Vento
despediu-se da Aldeia e voltou à viagem.
/|\ Awen
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