sábado, 21 de janeiro de 2012

14º Dia Druídico




Diálogo entre o Druida do Vento,  o Jovem Rei, a Curandeira, o Bardo Maluco da Colina e o Povo.

* O Druida do Vento retornou pela manhã a Colina para observar a Aurora.

Druida do Vento: Meditação. Um momento de paz. Será que estarei preparado para o desafio de hoje?

* O Jovem Rei e toda a comunidade, inclusive a Curandeira, chegam ao local.

Jovem Rei: Desonrado! Vejam, Povo Desta Terra, quem matou o seu Rei!

* O Druida do Vento, sem proteção alguma, foi atacado pelo Jovem Rei.

Jovem Rei: Na Aurora, como de tradição, o Velho Rei é cremado e eu, o Jovem Rei, coroado. Para isso, necessita-se de um sacrifício. Nada mais honroso do que jorrar o sangue de um forasteiro traidor. Prendam-no, diante a Colina do Menir!

* O Povo, insano pela desordem instituída pela morte, obedece. Amarram o Druida do Vento e o colocam ajoelhado. O Jovem Rei rasga suas vestes, o humilhando perante seu povo. A Curandeira toma uma adaga em mãos, segura a cabeça do Druida do Vento, lhe dando perigo ao pescoço.

Jovem Rei: Agora prove o silêncio que deu a meu pai. Deguste a solidão que deu a mim. Sinta o medo do tremor de meu povo.

* O Jovem Rei vai em direção do Menir. Inicia-se um breve diálogo entre a Curandeira e o Druida do Vento.

Druida do Vento: Por quê?

Curandeira: Não pergunte! Apenas prove seu silêncio, sua solidão e, principalmente, seus medos!

Druida do Vento: Para que necessitam de um sacrifício?

Curandeira: É preciso do sacrifício para que haja a recompensa, assim como é necessária a confusão e loucura de um jovem para haver glória num tempo futuro e próspero. Lembre-se do que eu lhe ensinei!

Jovem Rei: Tragam a coroa!

* O povo grita com ânimo.

Jovem Rei: Perante esse Menir e a Aurora, eu serei o dono o trono Desta Terra. Meu pai irá se encontrar com a Glória no outro mundo. E aos Cães, eu ofereço o sangue do Druida do Vento!

* O povo grita com ânimo novamente, mas é interrompido.

Bardo Maluco da Colina: Basta!

Jovem Rei: Quem é você, além de um velho louco, para interromper um ritual sagrado?

Bardo Maluco da Colina: Eu sou aquele que veio te ensinar a governar!

* O som de um tabefe ecoou pela colina. O Jovem Rei caiu e se humilhou.

Bardo Maluco da Colina: Primeiro! Aprenda a curvar-se diante um Bardo! Segundo! Aprenda a curvar-se diante o povo!

* Da bainha, o Bardo Maluco da Colina, tirou uma adaga. Com ela cortou o braço do Jovem Rei.

Bardo Maluco da Colina: E Terceiro! Aprenda a curvar-se diante de seu sangue! Curandeira!

* A Curandeira recolheu os medos do Druida do Vento com a Adaga e fincou na terra. Recolheu da mão do Bardo Maluco da Colina a Adaga com sangue do Jovem Rei e fez o mesmo.

Curandeira: Eis o verdadeiro sacrifício!

Bardo Maluco da Colina: Tragam a Coroa!

O Povo: Quem é você, além de um velho doido, para tocar na Coroa de um Rei?

Bardo Maluco da Colina: Esperei muito tempo para isso. Eu sou o irmão primogênito do Velho Rei! Há muito tempo, a Rainha me deixou diante essa colina e os animais me criaram. Ninguém nunca conheceu minha história, porque nunca tiveram coragem de me visitar e compartilhar conhecimento. Denominaram-me de Bardo Maluco da Colina, sendo que era meu o direito governar essa terra. Um jovem rapaz forasteiro veio para lhes mostrar a verdade, com seu silêncio, solidão e medo. Tudo tem o seu tempo.

* O Povo entregou a coroa.

Bardo Maluco da Colina: Eu lhe corôo, Jovem Rei, como Rei Supremo e Unânime Dessa Terra. Eu me Proclamo seu Bardo Conselheiro.

* A Aurora se fez e uma nova esperança tinha sido criada.

Curandeira: Está livre, Druida do Vento!

Druida do Vento: E a Paciência?

Bardo Maluco da Colina: Você a provou, esperando o sacrifício de seus medos. Tenha um ato de paciência com sua ansiedade e entenderá os porquês.

Curandeira: Eu necessitei arrancar os seus medos, para que você pudesse compreender melhor a virtude e nobreza da paciência.

Jovem Rei: Você só poderia compartilhar comigo seu Silêncio através da morte de meu pai. Então compartilhou a Solidão com o meu sangue, ou seja, com meu tio. E agora, ensinou a arte de esperar. Eu lhe devo suas roupas.

Druida do Vento: Entendo. E eu estou preparado?

Bardo Maluco da Colina: Para assumir a estrada pela frente está. Entretanto, nunca estamos totalmente preparados. Somos preparados. Estar é momentâneo. Ser, é eterno.

Druida do Vento: Eu sou grato por os desafios desses dias. Agora sei que por trás do Silêncio e Solidão, existe a Paciência.

Curandeira: Você é o sábio de si mesmo, por isso poucos o entendem.

Jovem Rei: Você é o rei de si mesmo, por isso poucos são nobres.

Bardo Maluco da Colina: Você é a inspiração de si mesmo, por isso poucos lhe encontram.

Druida do Vento: Somente os mais nobres.

Jovem Rei: Os iguais a você.

Curandeira: Para eles você sorri.

Bardo Maluco da Colina: Para os muitos outros, você chora.

Druida do Vento: E continuo trilhando.

Povo: Sem os medos de outrora.

Bardo Maluco da Colina: Como eu esperei por todos esses anos.

Curandeira: Como eu esperei pelo seu silêncio raro.

Jovem Rei: Como eu esperei pela sua solidão.

Druida do Vento: Caminho, Jornada, Destino.

A verdadeira meditação.

* O Druida do Vento despediu-se da Aldeia e voltou à viagem.

/|\ Awen

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