quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
11º Dia Druídico
Diálogo entre o Ritual e o Druida do Vento.
* Ao chegar a um destino, o Druida do Vento é convidado a participar de um ritual ao entardecer. Adentrando no Bosque, ele percebe certa afinidade e logo o Ritual começa a conversar com ele. O Druida do Vento não estava mais no mundo dos homens.
Ritual: Não passe por mim sem me conceder sua resposta para três angústias. Quem eu fui? Em que me tornei? O que serei?
Druida do Vento: São tempos, espaços e discursos diferentes.
O ritual do passado é obscuro. Não por ser algo medonho, mas porque ele não foi narrado. Eu creio não poderei entender do seu passado com imagens concretas, contudo posso ver alguma essência nisso tudo. Os rituais dos druidas clássicos são mistérios para nós, os druidas modernos. Se o ritual era fundamentado em um mistério, hoje não sabemos qual era. Não sei de sua origem. O pratico com o que tenho e sinto.
O ritual se tornou mais enigmático que antes. Isso foi o que a história te fez. Se obscurecido já estava no tempo, hoje, renascido em novos momentos, ainda procura a luz em meio a toda escuridão. Mesmo não sabendo nós, quem tu fostes a um passado distante, somente de uma forma sublime, a prática ainda é possível. Como? Porque existe uma essência natural que faz de você, Ritual, algo que completa algumas perguntas sem respostas. Mistérios. Ainda eles existem por trás de homens e mulheres que pretendem entender.
O que será do ritual? Se por trás de um ritual existe algo a ser decifrado, quer maior jogo de abismo que o futuro? Não posso lhe dizer. Só posso supor que não serás como no passado, nem como agora, neste exato momento. Quem sabe, não será.
Ritual: Não respondeu minhas três angústias. Quem eu fui? Em que me tornei? O que serei?
* O jovem druida pôs se a refletir.
Ritual: Tem segredos demais, meu rapaz. Ninguém passa por mim sem responder as três angústias. Ninguém vem até mim sem o sacrifício. Ninguém enfrenta meus mistérios, sem antes entender o próprio sigilo.
* O jovem druida pôs se a refletir mais uma vez.
Ritual: Não perguntei para você aquilo que já sei. Eu tenho ciência do que eu sou perante tudo que existe, porque consigo resposta para meu lado oculto. Faça essas questões para si e jamais para fora: Quem eu fui? Em que me tornei? O que serei?
Druida do Vento: Então...
Ritual: Cale-se! Eis a magia que eu posso lhe proporcionar.
Druida do Vento: Mas como quer que eu responda, se não posso falar?
Ritual: Silêncio! Aprenda a escutar! Você mesmo disse que não pode delimitar meus segredos. Isso porque você não conhece os seus próprios medos. Eu sou o ritual, uma manifestação do princípio e da interrogação. Nunca fui a réplica. Não sou a resposta. Não pretendo ser. Eu te dou a oportunidade de conhecer a si mesmo. Eu te concedo o privilégio de falar consigo mesmo. Eu crio o lugar para poder reverenciar o sagrado que há dentro de você mesmo. Eu sou o ritual. Assim foi. Assim o é. Assim será!
* O jovem druida acorda de um transe. Já era manhã. Uma druidesa se aproximou com alimento e bebida e lhe saudou. Informou o jovem que ele havia passado três dias inconscientes e que a comunidade havia o acolhido e cuidado.
Druida do Vento: Gratidão irmã! Agora compreendo melhor.
/|\ Awen
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