
Um dia, ouvi que o paganismo era um espaço de
compartilhamento de conhecimentos, onde as pessoas iriam juntas aprendendo e
criando um alicerce forte de amizade. Mas, algum tempo depois, um druida solitário passou a se debater
com a verdade. Bosques cercados, Portas fechadas, Cadeados trancados, Muros fronteiriços...
Rios não são linhas demoradoras, são espíritos a serem cultuados. Há grupos que
“necessitam” da fechadura para sobreviver. Estou cansado da falta de chaveiros.
Cansado de as portas de fecharem na minha frente e não poder fazer nada. O que
um dia me falaram do paganismo, agora frustra o jovem druida, que continua
andando pelo bosque sem saber para onde ir. Sabe ele que a próxima porta, ou
fechará, ou abrirá. E ele fica imaginando: “E se todas as portas nem ao menos
existissem?”. Seria paganismo de verdade. Mas as portas existem, o que ele
ouviu dizer, não. Às vezes era o sonho de um outro andarilho, ainda
decepcionado pelas fortalezas, protegidas por carrascos, sacerdotes mesquinhos
e falsos reis. O jovem druida compartilha do sonho, mesmo que ele ande o resto
da vida no deserto, sem encontrar um só bosque natural e sagrado.
Um sábio passa e diz: "Não desista, o pior dos frustrados é aquele que nunca ao menos tentou."
/|\ Awen
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