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| A Botelha de Diamante guardando o Perfume das Primaveras |
Um ancião e hábil artesão fez a criação mais resistente, valiosa e poderosa e denominou de Botelha de Diamante. Inquebrável, inabalável, possuía uma essência irresistível e frágil. O perfume da verdade, da cura, do conhecimento, da sabedoria, da harmonia e do amor. O artesão fechou aquela Botelha de Diamante para proteger o âmago, o impulso e força. O homem, percebendo o erro que havia provocado, fez de tudo para abrir o frasco, porém não conseguia. Então, o ódio o tomou e ele segurou aquela pedra polida pela sua habilidade e lhe confrontou contra a parede. A pintura descascou, mas a jóia permaneceu intacta. Com voracidade e ignorância, inflamou a pedra lhe concedendo o poder do fogo. Nada. Uma espada, a mais poderosa já fundida, feita de ouro e muito afiada, com ela o artesão tentou partir o cristal inabalável. Lâmina dourada espatifada. Botelha de Diamante, inquebrável, indestrutível, indivisível. Artesão em pranto. O movimento estava preso, a transformação dentro daquele frasco. Mas qual era o mais precioso: Diamante ou Essência? O artesão resolveu entregar a uma boticária, mas ela não teve o que fazer. Somente disse: “Não tenho o elixir que procura, porque você mesmo, meu senhor, lhe confinou nesse alcatruz”. O artesão foi embora, andarilho que procura o conhecimento para esmigalhar a Botelha de Diamante. É uma pena saber que essa sabedoria está dentro da própria Botelha de Diamante.
Somos artesãos, construímos nossa Botelha de Diamante, e agora nosso desejo maior é acessar a essência que confinamos no seu interior, protegido pela jóia. Tão perfeccionistas, entretanto tão imperfeitos em não aceitar o vício, o defeito, a multiplicidade, a mentira da alma que não se engana. Eternamente, estamos nos buscando a forma de destruir a nossa Botelha de Diamante para acessar a verdadeira essência de nós mesmos. Perfeita imperfeição, acessível a somente aqueles que entendem que o frasco e o perfume se respeitam em harmonia. Afinal, criaste a Botelha de Diamante para guardar o bem mais precioso. Que inveja, ganância ou temor nos fez guardar nosso próprio poder, força, âmago, alma, impulso, essência...?
O Artesão enlouquece, não sabe o que é mais valedouro, sua criação ou sua inspiração. Eloqüência de poeta, artesão e curandeiro ou a jóia brilhante e cristalina?
Oh Brìgh, responda-me! Com que audácia pude eu te secretar dentro dessa Botelha?
/|\ Awen

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