Quando eu demorar a colocar aquilo que passa pela minha
mente, é porque a vida está aprimorando meus pensamentos. Momentos de transição
sempre vem acompanhados de desastres críticos.
Conhecer a si mesmo e reconhecer-se é um desafio
considerável. Conhecer o outro e reconhecê-lo tem mais louvor. Dizem que não
podemos compreender nem a nós mesmos. Imagine então o outro! Conhecer é
entender. Reconhecer, é amar. Falta
sempre o último na maioria das relações humanas. Compreender a si mesmo requer
conhecer e reconhecer. É por isso que dizem que a maioria não é digno de perceber-se
a si mesmo e ao outro. Discurso conformista, como aquele que afirmam
recompensas depois da morte.
Morte. Um aspecto que aparece nos períodos de crise e
mudança. Não creio que a primavera da minha vida esteja findando-se. Ou não
quero crer, por ser mais cômodo. Porém é necessário para mim assumir essa
faceta que apresenta-se aqui, agora. O verão quer se inciar. O inverno presume
isso. A primeira geada, o vento frio que veio do sul do mundo, atingiu a todos
como numa teia. Pode isso afetar tantos ao mesmo tempo? Pensei que somente eu,
que seguia este ciclo poderia sentir. Enganado, estou! Todos estão sentindo o
Samhain.
Ouço a voz da minha mente dizer: Você se torna maduro quando
percebe que sua questão é mais uma entre tantas a serem respondidas num mundo
de empecilhos. Novos significados aparecem. Quando diversão se torna sinônimo
da distração de nossas dúvidas, a brincadeira se fixa na memória. O amigo não é
mais aquele que sabe dos seus segredos, é um confidente atuante deles também.
Ao olhar ao redor de si mesmo, você irá perceber que a morte lhe tirará todas
as esperanças. Vai se sentir sozinho. Pior ainda, se sentirá com frio da chuva
que escorre em seu rosto. Medo e perda serão seus obstáculos. Detrimento de
algo, de alguém ou de você mesmo. No coração a batida será roubada. Os furtos
da estrada, ladrões de alma.
Sentir que a juventude esta caminhando para o colhimento, é
sentir a morte próxima de si. O verão proporcionará esse amadurecimento. A fase
adulta também é quando observa-se aquilo que era, que agora foi. Além da
responsabilidade que chega a sua porta, também são recepcionadas as vozes mais
diferentes do mundo. Algumas delas são calmas, outros chegam chorosas, mas
todas tem algo em comum: querem um ouvido para escutá-las. Neste momento você
para de dizer que é o único que tem incertezas. Ao sorrir com o outro,
perceberá que existe uma máscara muito maior por trás daquele som
característico de felicidade. Quando em sua janela alguém vier desafogar, ao
sentir o arrepio de ver a lágrima de alguém cair dos olhos, então você
entenderá o que eu digo.
Dizem por ai que estamos num momento de grandes mudanças. Eu
acredito sinceramente que não! Sempre houve movimento, sempre existiu a
mudança. Neste exato momento, microorganismos estão se multiplicando, nossos
orgãos estão funcionando relativamente bem, nossa sociedade está, mesmo que com
violência e hipocrisia, se desenrolando como uma espiral da Via Láctea se
movimento em direção do centro. Alinhamentos cósmicos a todo momento estão a
acontecer no universo. Para que objetivo esses eventos e falácias de grande
mudança? “Todo minuto é raro e divino”, segundo a mãe que chorou ontem em minha
janela.
Engraçado esse período que meus olhos se abrem as dúvidas
daqueles que estão ao meu redor. Minha intuição diz para me manter afastado
dessas mágoas de cada um deles e somente ficar próximo daquilo que eles são.
Será isso que devo fazer comigo mesmo? Correr do meu rancor subto e abraçar o
que há de verdadeiro?
Sabe quando você se sente tão desconexo com esse lugar?
Quando percebe que a mente é a transição entre a alma e o corpo? Essa confusão
toda da minha mente, pode ser exemplificada para entenderem essa dor do
espírito e da matéria. Vamos dizer que eu desejo ser um monge. Então, eu quero
ser um monge. O corpo é colocado num certo lugar do mundo. A alma está no
corpo, pois se não inexistiria a meu ânimo em escrever. Entre os dois está a
mente, que quer resolver os problemas postos ao corpo e a alma. O meu destino é
ser monge, segundo esse exemplo. Para ser um monge, você necessitará de três
coisas: de um monastério, um mestre e
uma montanha. É como nossa visão em um mundo de três dimensões.
O monastério é o lugar onde você centrará suas orações e
dedicações. O mestre é aquele que te ensinará o conhecimento que será preciso
para um monge adquirir sua sabedoria, que provirão de suas experiências pessoais.
A montanha é onde o monge irá meditar, encontrando a si mesmo, o seu âmago de
poder, para praticar a si mesmo para o mundo. Corpus, Psyus, Animus, os três
princípios representados: Corpo (Monastério), Mente (Mestre), Montanha (Alma). Só
falta a experiência, que provém depois, quando se alinha os três
Eu quero ser um monge, não é? Para me desafiar e enfeitar a
vida, o destino me colocou em um lugar onde não há monastério, mestre e nem
montanha. Ou, quem sabe, tudo isso exista, contudo seja muito diferente do que
eu quero como um monge. Sou obrigado, pelo destino a perceber-me como Corpus,
Psyus e Animus, sozinho, em silêncio e um tanto irritado. “Somos mestres de nós
mesmos”, você poderia me retrucar. Entretanto, me responda, é fácil ser a
dedicação, a compreensão e a meditação de si, para si e para além de si? O
problema não é ser monge, e sim como reinventar o monastério, o mestre e a
montanha. Afinal, tudo aqui que foi dito era um exemplo para pensar a minha
dúvida.
Minha fala está tentando questionar o meu ideal, porque a
realidade não comporta aquilo que meu desejo espera. Começar a sentir a energia
do amadurecimento é perder as esperanças. Chorar quieto aquilo que se arrepende
de não ter feito quando considerava-se o único a ter problema de existência.
Morre a sua fé! Dizer que tudo vai ficar bem não é a melhor opção. Fique em
silêncio e apenas escute. É a única e singela esperança que ainda o outro tem
em seu amadurecimento. É a única forma de experimentar aquilo que você não
conhece, porque nenhum mestre te ensinou, não há monastérios em lugar nenhum e
muito menos montanhas para ter uma visão ampla. Você é apenas um maluco
querendo ser monge, que conhece e reconhece a si e ao outro. Ou tenta.
Dizem que escrevo como poeta. Será que estou produzindo
algum pergaminho para construir meu próprio monastério, ser meu próprio mestre
e subir uma montanha imaginária? Imaginação, mentalização. Essa é a chave que
pode abrir as portas seguintes. Imaginação é a maravilha da infância. Mentalização
é cura para a doentia humanidade. Espero que as gerações voltem a ser criativas
para que os que me sucederão não leiam isto como auto-ajuda, mas como
ultrapassado. Leiam como memória de uma experiência de um jovem druida que
amadureceu.
Nem monge, nem poeta, nem druida, nem o que quiser me
classificar. Eu sou o universo, o conheço e reconheço em todo lugar e em minha
pessoa, em movimento, em transição, em violenta transformação. Eu sou as
galáxias de todo espaço; os planetas que giram em torno das estrelas; as
estrelas que brilham; os satélites que recebem luz; os buracos negros que
engolem tudo; os sistemas, ordens e caos; todos os sistemas vivos, vegetais ou
animais; todos os seres, do maior ao menos; todos os seres humanos; toda a
humanidade e sua diversidade; todos os orgãos e suas funções; toda célula e complexas
ligações químicas; todo átomo e partícula. Eu sou um pouco de tudo. Eu sou
aquilo que está a minha frente, e tudo que está refletido sou eu.
Inclassificável Universo Diverso sou eu. Eu sei que da dúvida eu provim, para
várias respostas tentar. Eu vim, como todos, para arriscar a resposta dessa
pergunta que deu origem a tudo.
E é por isso, somente, que amadurecer é perceber-se como
mais um entre todas as questões do universo. Ninguém vai responder. Todos vão
responder.
/|\ Awen

