domingo, 6 de maio de 2012

A Segunda Porta



Quando eu demorar a colocar aquilo que passa pela minha mente, é porque a vida está aprimorando meus pensamentos. Momentos de transição sempre vem acompanhados de desastres críticos.

Conhecer a si mesmo e reconhecer-se é um desafio considerável. Conhecer o outro e reconhecê-lo tem mais louvor. Dizem que não podemos compreender nem a nós mesmos. Imagine então o outro! Conhecer é entender. Reconhecer, é amar.  Falta sempre o último na maioria das relações humanas. Compreender a si mesmo requer conhecer e reconhecer. É por isso que dizem que a maioria não é digno de perceber-se a si mesmo e ao outro. Discurso conformista, como aquele que afirmam recompensas depois da morte.
Morte. Um aspecto que aparece nos períodos de crise e mudança. Não creio que a primavera da minha vida esteja findando-se. Ou não quero crer, por ser mais cômodo. Porém é necessário para mim assumir essa faceta que apresenta-se aqui, agora. O verão quer se inciar. O inverno presume isso. A primeira geada, o vento frio que veio do sul do mundo, atingiu a todos como numa teia. Pode isso afetar tantos ao mesmo tempo? Pensei que somente eu, que seguia este ciclo poderia sentir. Enganado, estou! Todos estão sentindo o Samhain.

Ouço a voz da minha mente dizer: Você se torna maduro quando percebe que sua questão é mais uma entre tantas a serem respondidas num mundo de empecilhos. Novos significados aparecem. Quando diversão se torna sinônimo da distração de nossas dúvidas, a brincadeira se fixa na memória. O amigo não é mais aquele que sabe dos seus segredos, é um confidente atuante deles também. Ao olhar ao redor de si mesmo, você irá perceber que a morte lhe tirará todas as esperanças. Vai se sentir sozinho. Pior ainda, se sentirá com frio da chuva que escorre em seu rosto. Medo e perda serão seus obstáculos. Detrimento de algo, de alguém ou de você mesmo. No coração a batida será roubada. Os furtos da estrada, ladrões de alma.

Sentir que a juventude esta caminhando para o colhimento, é sentir a morte próxima de si. O verão proporcionará esse amadurecimento. A fase adulta também é quando observa-se aquilo que era, que agora foi. Além da responsabilidade que chega a sua porta, também são recepcionadas as vozes mais diferentes do mundo. Algumas delas são calmas, outros chegam chorosas, mas todas tem algo em comum: querem um ouvido para escutá-las. Neste momento você para de dizer que é o único que tem incertezas. Ao sorrir com o outro, perceberá que existe uma máscara muito maior por trás daquele som característico de felicidade. Quando em sua janela alguém vier desafogar, ao sentir o arrepio de ver a lágrima de alguém cair dos olhos, então você entenderá o que eu digo.

Dizem por ai que estamos num momento de grandes mudanças. Eu acredito sinceramente que não! Sempre houve movimento, sempre existiu a mudança. Neste exato momento, microorganismos estão se multiplicando, nossos orgãos estão funcionando relativamente bem, nossa sociedade está, mesmo que com violência e hipocrisia, se desenrolando como uma espiral da Via Láctea se movimento em direção do centro. Alinhamentos cósmicos a todo momento estão a acontecer no universo. Para que objetivo esses eventos e falácias de grande mudança? “Todo minuto é raro e divino”, segundo a mãe que chorou ontem em minha janela.

Engraçado esse período que meus olhos se abrem as dúvidas daqueles que estão ao meu redor. Minha intuição diz para me manter afastado dessas mágoas de cada um deles e somente ficar próximo daquilo que eles são. Será isso que devo fazer comigo mesmo? Correr do meu rancor subto e abraçar o que há de verdadeiro?

Sabe quando você se sente tão desconexo com esse lugar? Quando percebe que a mente é a transição entre a alma e o corpo? Essa confusão toda da minha mente, pode ser exemplificada para entenderem essa dor do espírito e da matéria. Vamos dizer que eu desejo ser um monge. Então, eu quero ser um monge. O corpo é colocado num certo lugar do mundo. A alma está no corpo, pois se não inexistiria a meu ânimo em escrever. Entre os dois está a mente, que quer resolver os problemas postos ao corpo e a alma. O meu destino é ser monge, segundo esse exemplo. Para ser um monge, você necessitará de três coisas:  de um monastério, um mestre e uma montanha. É como nossa visão em um mundo de três dimensões.

O monastério é o lugar onde você centrará suas orações e dedicações. O mestre é aquele que te ensinará o conhecimento que será preciso para um monge adquirir sua sabedoria, que provirão de suas experiências pessoais. A montanha é onde o monge irá meditar, encontrando a si mesmo, o seu âmago de poder, para praticar a si mesmo para o mundo. Corpus, Psyus, Animus, os três princípios representados: Corpo (Monastério), Mente (Mestre), Montanha (Alma). Só falta a experiência, que provém depois, quando se alinha os três

Eu quero ser um monge, não é? Para me desafiar e enfeitar a vida, o destino me colocou em um lugar onde não há monastério, mestre e nem montanha. Ou, quem sabe, tudo isso exista, contudo seja muito diferente do que eu quero como um monge. Sou obrigado, pelo destino a perceber-me como Corpus, Psyus e Animus, sozinho, em silêncio e um tanto irritado. “Somos mestres de nós mesmos”, você poderia me retrucar. Entretanto, me responda, é fácil ser a dedicação, a compreensão e a meditação de si, para si e para além de si? O problema não é ser monge, e sim como reinventar o monastério, o mestre e a montanha. Afinal, tudo aqui que foi dito era um exemplo para pensar a minha dúvida.

Minha fala está tentando questionar o meu ideal, porque a realidade não comporta aquilo que meu desejo espera. Começar a sentir a energia do amadurecimento é perder as esperanças. Chorar quieto aquilo que se arrepende de não ter feito quando considerava-se o único a ter problema de existência. Morre a sua fé! Dizer que tudo vai ficar bem não é a melhor opção. Fique em silêncio e apenas escute. É a única e singela esperança que ainda o outro tem em seu amadurecimento. É a única forma de experimentar aquilo que você não conhece, porque nenhum mestre te ensinou, não há monastérios em lugar nenhum e muito menos montanhas para ter uma visão ampla. Você é apenas um maluco querendo ser monge, que conhece e reconhece a si e ao outro. Ou tenta.

Dizem que escrevo como poeta. Será que estou produzindo algum pergaminho para construir meu próprio monastério, ser meu próprio mestre e subir uma montanha imaginária? Imaginação, mentalização. Essa é a chave que pode abrir as portas seguintes. Imaginação é a maravilha da infância. Mentalização é cura para a doentia humanidade. Espero que as gerações voltem a ser criativas para que os que me sucederão não leiam isto como auto-ajuda, mas como ultrapassado. Leiam como memória de uma experiência de um jovem druida que amadureceu.

Nem monge, nem poeta, nem druida, nem o que quiser me classificar. Eu sou o universo, o conheço e reconheço em todo lugar e em minha pessoa, em movimento, em transição, em violenta transformação. Eu sou as galáxias de todo espaço; os planetas que giram em torno das estrelas; as estrelas que brilham; os satélites que recebem luz; os buracos negros que engolem tudo; os sistemas, ordens e caos; todos os sistemas vivos, vegetais ou animais; todos os seres, do maior ao menos; todos os seres humanos; toda a humanidade e sua diversidade; todos os orgãos e suas funções; toda célula e complexas ligações químicas; todo átomo e partícula. Eu sou um pouco de tudo. Eu sou aquilo que está a minha frente, e tudo que está refletido sou eu. Inclassificável Universo Diverso sou eu. Eu sei que da dúvida eu provim, para várias respostas tentar. Eu vim, como todos, para arriscar a resposta dessa pergunta que deu origem a tudo.

E é por isso, somente, que amadurecer é perceber-se como mais um entre todas as questões do universo. Ninguém vai responder. Todos vão responder.
/|\ Awen

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vídeo: Como fazer um Homem de Palha?

Neste vídeo pretendo lhes mostrar a minha singela vivência de adaptação e readaptação solitária ao druidismo em terras brasis... É uma arte tosca, simples e rápida, mas é de alma e inspiração... Espero que gostem!

Logo, quem sabe, postarei outras criatividades do meu dia-a-dia pagão e druida!

Abraço...

/|\ Awen

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Boneco de Palha: Como fazer?


Como fazer um Boneco de Palha para Samhain?

Material:

Hastes de Palha
Hastes de Trigo Artesanal
Barbante
Pequeno pedaço de tecido
Galhos
Tesoura

Como faz?

É bem rápido e simples. Separe duas partes da palha: uma para fazer a cabeça e o corpo e outra para os braços. Com a primeira, você dobra ao meio e amarra a parte de cima para formar a cabeça. Então amarra as duas partes de baixo para formar os pés. Logo a seguir, pegue a outra parte que você separou da palha e trance no meio do corpo do boneco. Amarre com o barbante as mãos e a barriga. As hastes de trigo artesanal, você coloca entre os vãos dos braços e pernas. Os galhos, você pode colocar na cabeça, entre os mesmos vãos da palha. Corte o tecido em forma de quadrado e fure as laterais. Passe o barbante entre os furos e amarre ao pescoço do boneco de palha.

Está pronto seu Boneco de Palha para o seu ritual.

Por que um boneco com forma humana?


Ao colocar fogo no boneco de palha, lembre-se em mentalizar a transformação da material em outra. O fogo queimando o boneco representa a transmutação da semente boa em madura e das ervas daninhas em cinzas. A forma humana é para lembrar que essa mudança, esse sacrifício acontece em você. Eu gosto de fazer esse ritual em Samhain, tempo de sacrifícios e agradecimento as colheitas feitas e terminadas. Ao dançar ou meditar em torno do boneco de palha, lembre-se de mentalizar o útil e inútil, para que o fogo saiba o que deve amadurecer para a primavera e destruir no inverno.

/|\ Awen